quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Perdida

E aqui estou eu, no meio da escuridão, sozinha. Sinto-me vazia, dividida. Sorrisos, lágrimas; felicidade, tristeza; a vida é bela, não quero viver. 
Não sei bem quem sou. Não me consigo descrever, e muito menos o que sinto. Sinto tudo, sinto nada. Preciso de chorar mas não consigo. Não tenho lágrimas, nem motivos. 
Ninguém sabe o que se passa. Ninguém me conhece o suficiente para sequer desconfiar. E ainda bem, porque ninguém iria perceber, e se nem eu sei, como iria conseguir explicar?! 
A solidão é a minha única companhia. Estou sozinha nisto, e aguentar-me-ei até ao fim. Se é que algum dia ele vai existir. 
Eu não sou infeliz. Uma parte de mim é. Porquê? Não faço a mais pequena ideia. Mas sinto-me bem assim. Sinto-me bem ao sentir-me mal. 
Espero um dia descobrir-me. Por tantas estradas já caminhei; não me parece que algum dia alguma delas me tenha levado a algum lado. Perdi-me. Perdi-me em mim. 
Sou um ninguém perdido em nenhures que não possui nada. Nem sentimentos. Sou morta, e sou triste por ter morrido. Não sei se foi assassinato ou suicídio. 
Estou tão distante de mim. Foi naufrágio na minha alma. Quero encontrar-me.

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