segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Adultos vs. Adolescentes

Eles não percebem. Não percebem mesmo. Mas o pior não é o facto de não perceberem; é o facto de acharem que percebem!
Eles gostam de nos culpar e dizer "eu já tive a tua idade.". Hum, sim. Eu já tive cinco anos e não me recordo dos meus sentimentos na altura. Sou capaz de dizer que era uma pessoa inocente e não sabia nada da vida. Que me preocupava com coisas que não eram suposto preocupar ninguém, que chorava muito e os motivos eram... nenhuns? Nenhuns. Nenhuns, agora. Na altura eram motivos suficientes para me deixar com a cara encharcada e o coração partido. O problema é que as pessoas acham que os adolescentes são estúpidos.
Segundo eles, só vamos saber o que é a vida a sério quando tivermos contas para pagar, filhos para criar, trabalho para fazer, dinheiro para ganhar... Só aí.
Deitar tarde com o desejo de não acordar na manhã seguinte, acordar cedo com montes de coisas na cabeça, sem haver espaço para ter mais em que pensar, estar em frente ao espelho, a detestar o reflexo, ter de se arranjar, ficar o mais perfeita possível para não ser criticada, para agradar os outros, ir para a escola, ter de olhar para certas caras, ficar 90 minutos a ouvir um professor, enquanto se pensa em tudo menos no que ele diz, ter aquela pessoa na cabeça, problemas com o namorado, problemas com amigos, discussões com a mãe, correr o risco de perder certas pessoas, ter saudades de alguém, sentir-se uma merda, planear um suicídio, automutilar-se, e mesmo assim, ter de estudar para testes, ter de fazer trabalhos de casa, ter de esperar 5 dias para ter descanso e nem descanso se tem... E isto não chega a ser metade. Mas, problemas? Não. Só os adultos é que têm problemas. Segundo o que eles dizem.
Não, mãe, eu não baixei as notas porque me apeteceu. Não, mãe, eu não choro porque tenho medo dos testes. Não, mãe, eu não me quis armar em rebelde. Não, mãe, eu já não sou uma criança. E não, mãe, não me digas que posso desabafar contigo e contar-te tudo porque não, mãe, por muito que penses que sim, tu não me percebes.

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